segunda-feira, 19 de abril de 2010

Novo Cemitério de S. Roque, Pico, Açores

OBRA SELECCIONADA NO “HABITAR 2003 – 2005” , MAPEI E ORDEM DOS ARQUITECTOS

... desenhar um cemitério na ilha do Pico...

O espaço localiza-se em frente ao velho cemitério, e abre-se sobre a vista do canal da ilha de S. Jorge.

A atitude projectual emerge dos muros de pedra vulcânica que ladeiam a estrada que o liga a S. Roque. O desafio é reinventar o conceito e torná-lo gerador de uma qualidade espacial diferente das vivências enraizadas, apaziguando emoções e sentimentos.

O novo cemitério de S. Roque do Pico, propõe uma solução arquitectónica que rompe radicalmente com a imagem do cemitério tradicional. Depois de uma reflexão conjunta com a edilidade, foi delineado com um desenho simultaneamente mimético e complementar às estruturas arquitectónicas e vivenciais do lugar.

A opção de edifício – jazigos, concentra e economiza a área dos espaços de inumação, libertando para o desenho os outros espaços que constituem o cemitério ... a praça de acolhimento de chão de basalto, os muros de pedra aparelhada por mestres, os planos brancos que escondem os serviços do primeiro olhar, depois o espaço da capela com o prado e as plantas de cheiros que acompanham o edifício de inumação com frentes de madeira ...

... é propor um silêncio rasgado só pelo barulho do mar.














Localização: S. Roque do Pico, Açores Arquitectura e Paisagismo Teresa Teixeira e Carlos Fazenda Fundações e Fundações e Estruturas João Barrento da Costa Águas e Esgotos João Barrento da Costa Electricidade Ruben Sobral

Novo Cemitério de Machico, Madeira









Localização: Machico, Madeira Arquitectura e Paisagismo Carlos Fazenda Fundações e Fundações e Estruturas Fernando Duarte Águas e Esgotos Grade Ribeiro Electricidade Ruben Sobral

Desenhar Cemitérios - 1ª Fase de Ampliação do Cemitério Municipal de Vila Franca de Xira

Em Portugal, salvo raríssimas excepções, os espaços cemiteriais, foram esquecidos do planeamento urbano. A verdade é que hoje nos sentimos incomodados com a falta de manutenção, lotação e soluções de remendo que acentuam a sua degradação.

O cemitério é um espaço de despedida e de recordação de entes queridos, não tem muito mais aspirações, mas isso não quer dizer que o ambiente seja deprimente.

Na concepção do espaço em geral, tal como nos locais de culto e de meditação, desenvolvem-se estados de espírito que reflectem os valores em que se acredita, há que intervir, dignificando as memórias e os lugares através de concepções arquitectónicas que passem a constituir novas referências para sociedade.

A ideia de património nasce do confronto de ideias, revitalizando-se sempre em função das necessidades do presente, como um elo moderador de gerações, evocando um tempo que se quer manter vivo num apelo à afectividade da emoção.

A utilização de novas soluções técnicas podem contribuir para uma melhoria da qualidade espacial, que incentive e estimule a espiritualidade do lugar e facilite a transição de mentalidades e valores de memória colectiva sobre o processo de inumação dos corpos.

Em 1999-2001, por Concurso-Convite da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, realizámos o primerio projecto na área cemiterial. Tratou-se do primeiro projecto de Ampliação do Cemitério Municipal de Vila Franca de Xira.

Foi opção da edialidade a utilização de nichos de decomposição aéróbia do Sistema DUWE, atão apenas aplicados em Portugal no Cemitério de Montemor-o-Novo.

A área bruta de Construção é de 450 m2, implantado num terreno de 15 x 20 m. A lotação deste primeiro projecto é de 168 nichos de decomposição aéróbia e de 126 Ossários também do Sistema DUWE.

O rácio de utilização de espaço (nº de lugares de inumação / área de implantação) é de 1 lugar de inumação / 0,56 m2.

Localização: Vila Franca de Xira Arquitectura e Paisagismo Teresa Teixeira e Carlos Fazenda Fundações e Fundações e Estruturas João Barrento da Costa Águas e Esgotos João Barrento da Costa Electricidade Ruben Sobral





Temos que comentar !

Infelizmente, em Portugal, salvo raríssimas excepções, os espaços cemiteriais não se enquadram numa classificação de espaços onde se exija qualidade, e por isso tornam-se a pouco e pouco degradados, sem manutenção, acentuando o afastamento psicológico das pessoas em relação aos cemitérios.

Regista-se, no entanto, com relevância o que nos últimos tempos tem sido feito algum esforço nesta área, não só na intenção de alguns projectos lei e alguma legislação produzida, mas sobretudo na compreensão de alguns dos gestores municipais portugueses de querem ver alterado o ambiente dos cemitérios.

A visão deve ser modernizar, actualizar, alterando os existentes ou realizando novos equipamentos de qualidade onde a componente ambiental e arquitectónica dê resposta às novas necessidades. A componente arquitectónica, estética e funcional urge como espaço de dignidade para as pessoas que o tem que frequentar relevando a importância do seu enquadramento paisagistico e/ou urbano.

A vigência de um regulamento de cemitério, que imponha regras para a qualidade ambiental e visual não é habitual e, portanto, visualmente os cemitérios são decadentes onde cada sepultura é fruto de uma tradição formalmente decadente cujo valor artístico é o que é.

No seu conjunto, os cemitérios de campas têm uma poluição visual de tal modo que a imagem que todos temos de um cemitério é horrorosa e o que nos faz lá ir é apenas o acompanhamento a um funeral ou da manutenção de uma campa em memória de um ente querido.

Invés os cemitérios na Alemanha, na Inglaterra, na Holanda e mesmo em Itália são prolongamento de jardins e de espaços de estar, parte integrante de zonas urbanas de lazer e mesmo em situações rurais são prolongamentos de bosques assumindo um papel de mimetismo natural onde a morte tem um outro valor cultural.

A cultura cemiterial, em Portugal, enraizada é fruto de uma contínua utilização tradicional onde anda não existe alternativa espacial (o leirão, a sepultura e a campa), sobretudo pela pequena dimensão dos cemitérios e a grande lotação dos mesmos, que obrigam a estrangulamentos e à grande aglomeração de sepulturas. Para além disso a legislação portuguesa de 1962, copiada da francesa, obriga à construção de um muro limite. O muro tem três fundamentos legais, o primeiro a protecção contra a intrusão de homens, o segundo de animais e outro de prevenir a saída de miasmas (cheiros).

Mas... os muros têm a grande desvantagem de esconderem lá dentro aquilo a que definimos por poluição visual dos cemitérios. Salvaguardam-se claro muitas excepções, das quais se salientam as magnificas peças arquitectónicas, em particular de jazigo familiares.

No nosso entender, verdadeira e medíocre é a campa, a campa do lobby do canteiro da zona. O gosto dos familiares não se discute, respeita-se, mas há que dar alternativas às pessoas. Se houver evolução do desenho, da estética das peças fúnebres acompanhado de regulamentos de cemitérios que imponham a qualidade espacial, teremos espaços mais agradáveis e mais humanizados.

É facil entendermos isto...

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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Abertura do Blog - Nota de Introdução



O blog “Arquitectura de cemitérios” é escrito pelo Arquitecto Carlos Fazenda, que tem nos últimos anos desenvolvido inúmeros Projectos de Arquitectura de Cemitérios (remodelações, ampliações e obras novas) em co-autoria com a Arq. Teresa Teixeira e Arq. José Barra.

O blog visa colmatar alguma falta de informação sobre as soluções cemiteriais contemporâneas e também da legislação existente.

Este blog tem ainda como objectivo fomentar o conhecimento das autarquias, juntas de freguesias e privados, para a necessidade de requalificação dos espaços cemiteriais, dando à população qualidade espacial com a introdução de uma nova linguagem arquitectónica mais humanista.

No blog tentaremos não só mostrar alguns dos projectos realizados como também publicar algumas soluções contemporâneas de espaços cemiteriais realizado por arquitectos portugueses e estrangeiros.